Um certo dia voltando do meu trabalho, na epoca trabalhava em
copacabana no rio de Janeiro e antes de pegar o trem na central do
brasil para voltar p casa,desci no largo da carioca para comprar um
sapato.quando me deparei com um homem , trajando roupas coloridas e
sapatos engraçados. O homem pulava de um lado para outro, tal qual macaco de
galho em galho, ocupando seu espaço no Largo da Carioca. As pessoas à minha
volta, principalmente os pequeninos, riam histericamente, da cena em que o
pobre homem, além de fingir soltar gases, fingia também, uma alegria que não
sentia. Por detrás de tanta pintura, no rosto enrugado pelo tempo, no íntimo do
ser humano, que todos somos, percebia-se um lamento de dor alucinante, o qual,
somente os mais sensíveis, detectavam. Havia no chão, a minha frente, um chapéu
preto surrado, igual a cartola de mágico, com uma enorme flor amarela amassada,
onde percebi que, as pessoas colocavam moedas e notas pequenas. O garoto que
cuidava do chapéu, deveria ter uns oito anos, mais ou menos, era magro que dava
dó, muito pálido e, tinha os grandes olhos azuis, marejados por um lamento de
dor. Pensei então, comigo mesmo: - Porquê esse menino está chorando, se está
com o chapéu quase cheio de gorjetas? E foi então, que resolvi me aproximar do
garoto, para conversar e entender tudo aquilo. Para minha surpresa, o garoto
explicou que era filho daquele homem, que tanto fazia os transeuntes rirem e
que, tanto ele quanto o pai, estavam desolados pois, o caçulinha da família,
estava muito doente, e o pai, desempregado, vestiu-se de palhaço e foi para as
ruas arrancar risadas do público que, agradecido, deixava sempre, uma esmolinha
no velho chapéu. E eu que, minutos atrás, pensava em qual sapato novo iria
comprar, achando isso um dilema. Envergonhada, confesso, me senti
pequena tão mesquinha . Dei ao menino o valor do sapato que iria comprar,
e me retirei pensando que, a vida tem dessas facetas. Eu sabia que, no fundo,
aquele sorriso nervoso escondia algo. E pensar que, às vezes, nos queixamos de
coisas tão insignificantes! Aquele pobre homem, na esperança de ajudar o filho
doente, engoliu a sua dor e foi para as ruas arrancar risos da platéia, que
alheia à tudo isso, aplaudia o palhaço triste, que sorria para não chorar!...

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